quinta-feira, 26 de maio de 2011

Noites no Parque

REPORTAGEM. NOITES NO PARQUE


“Mística, História… Para sempre na Memória”, é o slogan de 2011 para a maior festa académica do país, a Queima das Fitas de Coimbra.
Durante oito dias, na margem esquerda do rio Mondego, nomeadamente na Praça da Canção, vive-se um ambiente de euforia, de música, de gritos entusiásticos, acompanhados de lágrimas de emoção e de saudade. A semana académica de Coimbra abre portas de 6 a 13 de Maio e atrai estudantes universitários, antigos estudantes e visitantes curiosos.
Nas Noites do Parque, dia 8 de Maio, Quim Barreiros actua perto das 2h no palco principal, como já é tradição em dia de cortejo. A sua música popular faz sucesso no público estudantil. Uns dançam sem parar, outros cantam num tom de alegria, e há ainda, os que se sentam no chão, de cerveja na mão, a apreciar todo o espectáculo. As capas que, dias antes, foram traçadas para ouvir a Monumental Serenata (5 de Maio), estão agora sujas de pó e estendidas pelo recinto.
Duas horas antes, no autocarro com destino à tão esperada noite, dois irmãos, Raúl Mota, 18 anos, estudante de Engenharia Mecânica que vive o seu primeiro ano de queima das fitas diz que os últimos dias “têm sido inesquecíveis”. Naír Mota, 25 anos, estudou Direito em Coimbra. “Já estou habituada a estas andanças, vivi muitas queimas nesta cidade. Nem por isso deixo de voltar cá”. Juntos no meio de um autocarro em alvoroço, onde parece não caber mais ninguém. Raúl, usando o traje académico entoa cânticos de forma entusiasmada, como o célebre “Coimbra é nossa!”. Ao seu lado, Naír observa todo o ambiente, espreitando pela janela e “relembrando todos os momentos maravilhosos que passei em cada um destes sítios da cidade”.
No Queimódromo, as filas para a entrada não param de aumentar. “Não estava à espera de encontrar tanta gente”, afirma Raúl. A irmã, vai contando pequenas peripécias vividas no recinto da queima em anos anteriores, “há uns anos estava na fila das cervejas e, de repente, chega o meu melhor amigo totalmente embriagado e ajoelha-se para me pedir em casamento! Nunca mais me esqueci”.  Com ar saudoso relata , ainda, “uma manhã em que, depois de uma noite de farra, foi tomar banho trajada no rio Mondego”. – prática muito comum entre os estudantes depois das noites académicas.
Depois de uns minutos na fila para comprar o bilhete pontual, entra-se no recinto e o espírito de Coimbra cresce. Os finalistas ou “cartolados”, como são também chamados, - vivem tudo como se fosse a última vez, “ começando já a sentir saudades deste espírito fantástico”, diz Sara Silva, finalista do curso de Comunicação Social.
Nesta festa tão emblemática, não se encontra apenas estudantes, é frequente encontrar visitantes que querem ver de perto a tradição académica de Coimbra. “Tenho amigos meus a estudar cá e não podia faltar a esta grande festa! Está a ser fenomenal!”, diz João Neves, do Porto, que veio para assistir ao concerto do cantor britânico, James (dia 13 de Maio). Na última das Noites do Parque, assiste-se a quase uma “união de gerações”, num misto de estudantes, adultos e seniores. “Tenho 32 anos, venho do Alentejo directamente para a Queima de Coimbra. Com o cartaz que apresentam é inevitável não ficar tentado a vir. Mas mais do que isso, é o ambiente que faz toda a diferença”, diz Pedro Vintém, enquanto se dirige para a tenda NB (música electrónica), já perto das 3h30 da madrugada.
A Queima das Fitas de Coimbra abrange diversos públicos e, por isso mesmo, apresenta dois palcos. O palco RUC/Super Interessante situa-se numa extremidade do recinto e é uma alternativa musical aos grandes nomes que actuam no palco principal. Black Bombain, Scuba e The Ramblers marcam a agenda do segundo palco que, à semelhança do principal, tem diversas actuações durante as Noites do Parque.
“Acho que a existência de um palco secundário e alternativo só vem favorecer a Queima de Coimbra. Atrai um público mais diversificado e consegue chegar aos gostos de cada um. Dentro do recinto há espaço para música comercial, house, popular, e até rock!... E não poderia faltar as tradicionais tunas académicas de Coimbra!”, explica Tiago Costa, licenciado em Desporto, terminando este ano o mestrado.
As tunas são incontornáveis quando se está na cidade de Coimbra. Prova disso são as actuações quase diárias das tunas no palco principal. No cartaz da Queima de Coimbra pode assistir-se à Estudantina, (dia 7), Fan Farra e Quantunna, (dia 8), Mondeguinhas, (dia 9) e Phartuna (Dia 10). Nos últimos dias actua Coral Quecofónico (dia 11), encerrando (dia 13) com o Grupo de Cordas – As Fans. Os estudantes universitários, na sua maioria, continuam a esperar pela actuação das tunas, que acontece depois do concerto principal, mesmo com as tendas NB já a “bombar”. As tunas são uma das raízes do espírito e da festa académica conimbricense.
No final da noite, pelas 6h30, Raúl e Naír Mota, dirigem-se para a saída do Queimódromo, cansados, mas a sorrir pois “foi mais uma noite que valeu a pena”. As pessoas começam a dispersar-se, a multidão de há horas atrás dá lugar a um recinto poeirento, com lixo e copos de bebida espalhados pelo chão. O sol começa a nascer e alguns estudantes de capa e batina mais corajosos mergulham no Mondego. São os reflexos de uma paixão, de um companheirismo, de uma saudade que, em Coimbra, se tornam eternos.

Por: Paula Cabaço e Rosália Costa

NOTÍCIA. James ‘quebra o gelo’ na despedida da Queima das fitas 2011

A banda britânica James, animou a última das noites do Parque, iniciando o concerto no meio do público, interagindo e arrancando aplausos da multidão presente.
Antes do concerto de James , a organização da Queima das Fitas surpreendeu os estudantes com uma sessão de fogo de artificio sobre o rio Mondego , que culminou com o mote para o próximo ano.   Minutos depois a banda liderada pelo vocalista , Tim Booth , começou o concerto com grandes êxitos dos anos 80, como “Sit Down”. Na conferência de imprensa posterior ao espectáculo,  a banda de Manchester , afirmou que iniciaram o concerto de maneira diferente porque isso “muda a relação com o público, quebra o gelo”. Durante  hora e meia , os James ,mantiveram a dinâmica com  a assistência , pedindo para que os ajudassem a cantar alguns êxitos e intercalando com músicas do novo álbum .Algo que já é habitual para estes repetentes  nas noites académicas , que revelam “ter uma relação dinâmica com a multidão” e no caso de Coimbra , o facto de terem um público jovem  a assistir aos concertos “nos faz sentir também mais jovens , tocar em Coimbra é fantástico “. Seguiram-se nas actuações no palco principal  a banda conimbricense  , Sean Riley and The Slowriders,  apesar da ausência do baterista , Filipe Costa, animaram o público ao som de ritmos inspirados no folk-rock americano que os caracterizam . 

Por: Rosália Costa


BREVE. Luz e cor sobre o Mondego

A comissão organizadora da Queima das Fitas surpreendeu ao lançar fogo de artificio antes do concerto de James .  A despedida de mais uma edição da Queima não podia ser melhor, com espectáculo de luz e cor sobre o rio Mondego que terminou com deixando o caminho aberto para o próximo ano , “Queima das Fitas 2011” ardeu junto ao palco principal.

Por: Rosália Costa

BREVE. Sean Riley and The Slowriders arrasam na última noite, mas sem Filipe Costa

A banda conimbricense apresentou-se me palco na sexta-feira, 13 de Maio, após a actuação de James. Apesar da ausência do baterista, Filipe Costa, Sean Riley cativaram o público, fazendo toda a gente vibrar ao som de ritmos inspirados no folk-rock que os caracterizam. Quanto aos motivos da ausência do baterista, a banda, em posterior conferência de imprensa, justifica esta falta pela dedicação de Filipe Costa ao teatro. O vocalista Afonso Rodrigues, afirma que o seu grande objectivo para o novo registo lançado no final de Maio é ‘arriscar’. Um dos três concertos de apresentação do novo álbum será realizado em Coimbra, no dia 2 de Junho na Oficina Municipal de Teatro. 


Por: Rosália Costa





Breve. Editors arrastam milhares de pessoas para a primeira noite da Queima de Coimbra

A banda britânica de indie/rock, pela segunda vez em Portugal, foi cabeça de cartaz do primeiro dia de Queima (6 Maio). Editors foi a principal atracção da noite e subiu ao palco perto da 1H00, onde manteve o público fiel até ao final do concerto com êxitos como “In This Light And On This Evening”, lançado em 2009. A “lotação esgotada” prevista por elementos da Organização da Queima das Fitas veio a ser comprovada pelas milhares de pessoas que rumaram à Praça da Canção. O vocalista, Tom Smith, agradeceu em português.

Por: Paula Cabaço

Breve. “Geração à Rasca” canta com os Deolinda na primeira Noite do Parque

A banda de música tradicional portuguesa teve a “honra de estrear o palco da queima”, anunciou, ao microfone, a polémica vocalista dos Deolinda. O concerto teve início às 23H30 com o recinto a meio-gás, mas terminou com uma assistência participativa. A “Geração à Rasca”, representada na Praça da Canção pelos estudantes, vibrou com a música “Que Parva Que Eu Sou”, que se tornou um hino às gerações precárias.

Por: Paula Cabaço

Breve. Cruz Vermelha regista aumento de atendimentos no primeiro dia da Queima

Sexta-feira, dia 6, a Cruz Vermelha socorreu 42 pessoas que participavam na festa académica de Coimbra. O coordenador destacado para as noites do Parque, Ruben Santos, revela que “a Cruz Vermelha registou 30 socorridos no local dentro do posto e outros 12 mais graves que tiveram de ser evacuados para o hospital.” O número de atendimentos aumentou em relação ao mesmo dia do ano passado. Os casos mais comuns foram devidos a intoxicação alcoólica e a ferimentos derivados de quedas.

Por: Paula Cabaço

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